A ‘Ser e Fazer: Enquadres Clínicos Diferenciados do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo vem desenvolvendo desde 1997 modalidades de pesquisa-intervenção que se fundamentam na psicanálise winnicottiana, caracterizada pelo uso de mediações facilitadoras da expressão de indivíduos e coletivos, em contextos psicoterapêuticos e psicoprofiláticos.

No âmbito do estudo das subjetividades grupais, dedica-se ao estudo psicanalítico do imaginário coletivo, enquanto dispõe de serviços próprios para atendimento à comunidade: “Ser e Fazer”: Oficinas Psicoterapêuticas de Criação, onde se praticam consultas psicoterapêuticas individuais, familiares e grupais e artepsicoterapia grupal de inspiração winnicottiana, com uso de diferentes materialidades.

Inseridos em Laboratório universitário, buscamos integrar ensino, pesquisa e prática clínica, oferecendo estágio supervisionado a alunos de graduação e proporcionando campo de investigação clínica para trabalho acadêmico de pós-graduandos e para articulações teóricas de docentes e pesquisadores.

Partindo da noção winnicottiana segundo a qual a psicoterapia psicanalítica consiste na superposição de duas áreas do brincar, a do terapeuta e a do paciente, todos os atendimentos são realizados segundo enquadres transicionais diferenciados que permitem que as comunicações emocionais articulem-se como brincadeiras, evitando deste modo o peso de interpretações que rompem defesas, mas que correm o risco de incrementar o sofrimento de modo clinicamente improdutivo. Deste modo, os pacientes podem se deparar com ambiente humano suficientemente bom que favorece o surgimento do gesto espontâneo em presença do outro. Trata-se, portanto, de uma psicanálise inovadora que, pautada na relação inter-humana e recorrendo a diferentes estratégias clínicas, dá contornos aceitáveis às angústias existenciais mais profundas e incentiva a emergência da capacidade criativa do ser humano.

Além de inspirar diversas publicações científicas, nossos serviços têm obtido excelentes resultados do ponto de vista clínico no sentido de dar conta de diferentes queixas, demandas e questionamentos existenciais, uma vez que acolhe desde pessoas que sofrem profundas angústias relacionadas à fragmentação e aniquilação do ser até aqueles que, ainda que aparentemente assintomáticos, referem sentimentos difusos de falta de sentido e vazio interior, que impedem a valorização da vida tal como se apresenta. Os enquadres transicionais diferenciados revelam-se, ainda, como modalidades promissoras de pesquisa-intervenção na clínica social já que se mostram basicamente inclusivos, podendo acolher num mesmo grupo participantes com diferentes tipos e graus de sofrimento, enquanto oferecem a possibilidade de uma experiência emocional enriquecedora, uma vez que incentivam a expressão de potencialidades dos pacientes para a criação/transformação da realidade, permitindo auxiliá-los na busca de um novo sentido de existência.

 

2012-11-01 13.12.11 2012-11-01 13.12.36 2012-11-01 13.13.04

Grupo da Ser e Fazer. Foto dezembro de 2013.