Psicologia: Teoria e Prática – 2009, 11(2):3-16

Ana Carla Silvares Pompêo de Camargo Arós e Tânia Maria José Aiello Vaisberg

 

RESUMO

Este artigo deriva de uma pesquisa psicanalítica sobre um importante fenômeno clínico que articula despersonalização e desrealização, o qual, sob a pena de Winnicott, é conhecido como “incapacidade de se sentir vivo e real”. Trata-se de um fenômeno típico de quadros borderline e psicóticos, cujas manifestações têm se mostrado frequentes na sociedade contemporânea. Utilizou-se como objeto de análise uma narrativa psicanalítica do filme Clube da luta, tomado como um acontecer humano ficcional. Foram criados/encontrados sete campos diversos, integrantes de um campo maior – “ser ou não ser”. Estabelecendo interlocuções com Winnicott e Bauman, foi possível concluir que a problemática clínica estudada articula-se intimamente às novas formas de organização da sociedade líquido-moderna, as quais, de modo paradoxal, incrementam um certo tipo de individualismo ao dificultarem o amadurecimento pessoal no sentido do desenvolvimento da capacidade de se sentir vivo, real e capaz de gestualidade espontânea e transformadora de si e do mundo.

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