Texto publicado nos Anais da XI Jornada APOIAR: “Adolescência: Identidade e Sofrimento na Clínica Social”, 2013.

Autores: Lia Raquel Posi, Rafael Aiello-Fernandes e Tânia Aiello-Vaisberg.

 

RESUMO

Este é um estudo preliminar e exploratório, que objetivou estudar psicanaliticamente o imaginário coletivo sobre o fenômeno da discriminação social. Insere-se num conjunto de estudos sobre sofrimentos sociais e experiências de injustiça, humilhação e desamparo, que focalizam problemáticas tais como o racismo e a discriminação de vários grupos pertencentes a grupos sociais subalternos. Como pesquisa psicanalítica empírica, organiza-se em termos do uso de procedimentos investigativos de configuração, registro e interpretação do acontecer clínico. Configuramos o encontro, com uma participante, que compartilha a condição de idosa, segundo um enquadre investigativo conhecido como “Entrevista individual para abordagem de pessoalidade coletiva”, que se articula ao redor do uso de mediadores dialógicos de caráter transicional. Solicitamos que nos contasse lembranças sobre “festas da juventude”. Como procedimento de registro, elaboramos narrativas transferenciais, de memória, após a entrevista. Consideramos as narrativas tendo em vista a produção interpretativa de campos de sentido afetivo-emocional. Tal procedimento permitiu a “criação/encontro” do campo: “coisas para quem pode”, que se define pela crença de que existem dois tipos de festas, inclusivas ou segregadoras. Na comunidade rural prevaleceria a modalidade comunitária, de que todos participam, enquanto no mundo urbano os encontros festivos congregariam alguns para segregar muitos. Tal achado suscita reflexões no sentido da constatação de que a estruturação social, predominantemente fundada na produção de desigualdades, reflete-se nas práticas cotidianas, provocando tanto experiências de sofrimento dos excluídos como a constelação, entre os incluídos, de condutas marcadas pela indiferença, pela ironia e por formas mais ou menos sutis de perversidade social.

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