Tese, Miriam Tachibana, 2011

 

RESUMO

A ocorrência de interrupção da gestação demanda não apenas atendimento médico – hospitalar, mas também sustentação emocional, tendo em vista tanto o bem estar imediato da mulher, como a possibilidade de acolhimento a outros bebês que possa ter futuramente. Durante a internação, a mulher permanecerá sob cuidados da equipe de enfermagem obstétrica, de modo que suas vivências serão, em certa medida, afetadas pelas atitudes e condutas destes profissionais. Assim, justifica-se a proposta de investigar o imaginário coletivo da equipe de enfermagem obstétrica sobre a mulher que sofreu interrupção da gestação. Realizamos entrevistas individuais com dezesseis profissionais de um serviço de Obstetrícia de um hospital universitário, fazendo uso do Procedimento de Desenhos-Estórias com Tema como recurso mediador-dialógico. Após cada entrevista, foram redigidas narrativas psicanalíticas que, juntamente com os desenhos-estórias das participantes, foram considerados psicanaliticamente, visando a captação interpretativa de campos de sentido afetivo-emocional. Foram captados campos denominados “Fim do mundo”, “Vazio eterno” e “Monstruosidade”, que permitem a percepção da vigência de um imaginário coletivo no qual a gravidez interrompida é concebida como um fenômeno humanamente inaceitável, que apresentaria contornos apocalípticos, associados à atribuição de motivações maldosas e nefastas à própria gestante. O quadro geral evidencia que a equipe de enfermagem, como coletivo humano, provavelmente enfrentará dificuldades na adoção de condutas solidárias e sustentadoras diante deste tipo de paciente. Esta situação poderá ser superada apenas se a instrução e o esclarecimento das profissionais puderem ser complementados com atenção psicológica clínica, que lhes permita exercer suas tarefas de modo mais tranqüilo e amadurecido.

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