Texto publicado nos Anais da XI Jornada APOIAR: “Adolescência: Identidade e Sofrimento na Clínica Social”, 2013.

Autoras: Gisela Furquim, Miriam Tachibana Tânia Maria José Aiello Vaisberg.

 

RESUMO

Na literatura especializada, o ato de humilhar tem sido frequentemente estudado, em contextos de interação grupal, desde a perspectiva de quem a pratica, como conduta perversa. Nesse estudo, discutimos sua ocorrência em contextos familiares, nos quais pode vir a ser considerado e vivenciado – pelo adulto – como tentativa de proteger crianças e adolescentes de decepções futuras. Para tanto, apresentamos um caso clínico, atendido em um enquadre clínico diferenciado, segundo o estilo clínico Ser e Fazer, realizado no Instituto de Psicologia da USP, focalizando uma paciente que expressa dramático sofrimento derivado de experiências de humilhação deste tipo. Concluímos que se trata de fenômeno complexo e paradoxal, na medida em que a humilhação parece estar motivada por preocupações relativas a preparar o indivíduo para ocupar posições sociais subalternas sem sofrimento excessivo. Este quadro indica, com precisão, como angústias ligadas à humilhação se entrelaçam indissociavelmente com a organização capitalista, estruturalmente pautada em desigualdades.

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