Texto publicado nos Anais da XI Jornada APOIAR: “Adolescência: Identidade e Sofrimento na Clínica Social”, 2013.

Autoria de Andrea de Arruda Botelho-Borges, Tomíris Forner Barcelos e Tânia Maria José Aiello Vaisberg.

 

RESUMO

Este artigo tem por objetivo investigar psicanaliticamente o imaginário coletivo – expresso numa produção cultural cinematográfica – sobre a experiência emocional vivida por adolescentes diante do desafio da descoberta pessoal. Inúmeros conflitos permeiam a opção por determinadas condutas, como a de ser leal ou desleal, tanto a fatos narrados, como a outras pessoas e a si mesmo. A pesquisa se justifica pelo sofrimento emocional que caracteriza a adolescência, em nossa sociedade contemporânea, e pela importância que o sentimento de autenticidade assume, ao longo do desenvolvimento emocional, para a saúde psíquica. Metodologicamente, o trabalho organiza-se como estudo de caso, por meio da abordagem psicanalítica, afinada à Psicologia Concreta defendida por Politzer e Bleger, do filme brasileiro “Meu tio matou um cara”. Realizados em estado de atenção flutuante e de abertura a impactos contratransferenciais, os procedimentos investigativos consistiram em: seleção do filme, exposição a ele, elaboração de uma narrativa transferencial e produção interpretativa de um campo de sentido afetivo-emocional ou inconsciente relativo, denominado “Leal a si mesmo”. O diálogo com esse campo, em interlocução com o pensamento winnicottiano, aponta no sentido de um imaginário sobre o adolescente como alguém que se depara com o mentir em diferentes situações e vai construindo valores, a partir das experiências vividas em seu universo familiar e social – experiências que o convidam a refletir e decidir que adulto quer ser, ponderando sobre os contextos em que, para ser leal a si mesmo e aos amigos, é necessário ocultar uma verdade.

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