Artigo publicado em Psicologia em Revista, Belo Horizonte, v. 19, n. 1, p. 74-88, abr. 2013.

RESUMO

Este trabalho tem como objetivo estudar o imaginário social sobre adolescência, concebida como fenômeno socialmente produzido, de importantes ressonâncias emocionais. Metodologicamente, configura-se ao redor da abordagem psicanalítica da obra cinematográfica “Linha de passe”, desde uma perspectiva teórica afinada com a psicologia concreta da conduta, defendida por Bleger e Politzer. Utiliza como material uma narrativa transferencial, elaborada com base na estrita observância das regras constitutivas do método psicanalítico, tendo em vista a produção interpretativa de campos de sentido afetivo (emocional ou inconscientes relativos). Apresenta e discute a criação/encontro de três campos denominados “Temos mãe”, “Precisamos de (mais) alguém” e “Viver é lutar”, segundo os quais se organiza a experiência dos personagens adolescentes. Conclui que o filme retrata, de modo claro e preciso, um imaginário compartilhado por parte da população brasileira com acesso à produção cultural, que reconhece que o processo de tornar-se adulto seria singularmente penoso pela ausência paterna e por falta de holding social.

Palavras-chave: Adolescência. Imaginário. Pesquisa psicanalítica. Cinema. Precariedade social.

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