III Congresso Luso-Brasileiro de Psicologia da Saúde.
Universidade do Algarve (Faro, Portugal)

- Miriam Tachibana, Daniel Beaune e Tânia Maria José Aiello Vaisberg

 

Uma vez que a complexa função de sustentar emocionalmente um bebê pode ser favorecida pela sustentação da gestante/parturiente por um suficientemente bom, temos desenvolvido estudos que focalizam profissionais da área obstétrica. No presente trabalho, voltamos nossa atenção para a sage femme, profissional francesa que intervém tanto tecnicamente como prestando cuidado emocional, estabelecendo como objetivo investigar o imaginário coletivo de estudantes da escola de sage femmes sobre sua futura profissão. Realizamos uma entrevista coletiva, em contexto de sala de aula, junto a 16 alunas de uma universidade francesa. Para favorecer a sua comunicação emocional, usamos o Procedimento de Desenhos-Estórias com Tema, convidando-as a desenharem individualmente “uma sage femme feliz”, para, a seguir, inventarem uma história sobre a figura desenhada. Posteriormente, elaboramos uma narrativa transferencial que, juntamente com os 16 desenhos-estórias, foi considerada psicanaliticamente, visando a produção de campos de sentido afetivo-emocional ou inconscientes relativos. Produzimos interpretativamente dois campos: “Mãe sempre feliz”, organizado a partir da crença de que toda mulher se sente feliz e realizada com a gravidez, e “Profissional sempre infeliz”, que se configura ao redor da crença de que a sage femme seria sempre comparada aos médicos obstetras e socialmente desvalorizada. O quadro geral indica que, neste imaginário, a paciente é concebida de maneira idealizada, como se não enfrentasse nunca conflitos e dificuldades, enquanto a profissional é considerada como carente de reconhecimento social. Podemos concluir que as participantes não estabeleceram um vínculo amadurecido e saudável com a profissão, na medida em que não lhe atribuem utilidade verdadeira nem valor social, o que provavelmente se relaciona à hierarquização prevalente no setor de saúde e aos processos de seleção para o curso. Por outro lado, destacamos o fato de apresentarem uma visão idealizada das pacientes, como pessoas que não enfrentariam dificuldades e conflitos, o que, evidentemente, não contribui para a sensibilização das profissionais em relação às necessidades emocionais que lhes caberia atender.

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