Texto publicado nos Anais do II Congresso Luso-Brasileiro de Psicologia da Saúde e Congresso Ibero-Americano de Psicologia da Saúde, realizado em 26 a 28 maio de 2011 na Faculdade Metodista, São Paulo.

- Roberta Elias Manna e Tânia Maria José Aiello-Vaisberg

 

Este trabalho tem o objetivo de investigar a potencialidade mutativa de um enquadre diferenciado que adota o holding como postura fundamental do analista e busca favorecer que objetos concretos, significativos para o paciente, possam ser trazidos à sessão. Trata-se de uma pesquisa desenvolvida ao redor de estudo de caso, que será, neste momento, ilustrada por um atendimento selecionado, dentre outros que foram realizados no contexto de um serviço municipal de saúde da cidade de São Paulo. Descreveremos, a seguir, o modo como configuramos o acontecer clinico, em termos de como o atendimento foi realizado, que corresponde ao objeto de investigação. A seguir exporemos as estratégias metodológicas, que consistem, basicamente, num registro psicanalítico, denominado “narrativa psicanalítica”, que não interfere, de modo algum, com o acontecer clinico, que flui de acordo com as necessidades emocionais da paciente e com as possibilidades de compreensão emocional da terapeuta. Este tipo de relato se baseia tanto nas memórias do que foi expresso pelos participantes do encontro, paciente e terapeuta, como pelas vivências clínicas contratransferenciais (Aiello-Vaisberg, 2007). As estratégias também incluem, à guisa de tratamento do material clinico, um movimento teórico-reflexivo de leitura flutuante das narrativas, em busca da captação de campos de sentido afetivo-emocional ou inconscientes relativos das condutas apresentadas. A ocorrência ou não ocorrência de transito entre campos de sentido afetivo-emocional é o critério utilizado como evidencia da eventual potencialidade mutativa do enquadre.

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