Tania Mara Marques Granato, Miriam Tachibana e Tânia Maria José Aiello Vaisberg

 

RESUMO

A partir de nossa experiência clínica com gestantes e mães, interrogamo-nos sobre a possibilidade de que parte do sofrimento materno pudesse estar associado à falta ou insuficiência de suporte familiar e social. Intrigadas com o lugar que a maternidade ocupa hoje em nossa sociedade, propusemo-nos a investigar o imaginário coletivo de enfermeiras obstétricas sobre o cuidado materno, tendo em vista sua função moduladora de relações sociais e profissionais. Solicitamos a 14 enfermeiras que completassem individualmente uma história materna fictícia, especialmente elaborada para este estudo, produzindo-se uma narrativa interativa. A abordagem psicanalítica das narrativas revela uma profunda dicotomia entre o ideal materno e a vivência concreta da maternidade. Imagens socialmente produzidas, como a idealização da figura materna e a fascinação pelo bebê recém-nascido distanciam tais profissionais da integração dos próprios sentimentos ambivalentes em relação à maternidade, contrastando com o cuidado sensível e ético da dupla mãe-bebê.

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